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segunda-feira, 29 de abril de 2013

A CIDADE DE ROMA




A capital do Império Romano é uma das cidades mais famosas do mundo, foi fundada as margens do rio Tibre no ano de 753 a.C. Em breve espaço de tempo se estendeu até cobrir sete colinas: a Capitolina, a Palatina, a Aventina, a Celina, a Esquilina, a Viminal e a Quirinal.


O Foro romano estava localizado entre a colina Palatina e a Capitolina, e era centro de interesse comercial, cívico e cultural dos romanos. Os melhores templos, palácios, circos, balneários, monumentos, anfiteatros e edifícios do governo estavam nos arredores do Foro. Toda a vida romana se centralizava ali, e todas as ruas saíam do marco dourado localizado no Foro. Paulo, Lucas, Pedro e outros grandes cristãos devem ter visitado o Foro com freqüência. É provável que tenha sido o local em que Paulo tenha sido sentenciado a morte. Mas as guerras, os terremotos, os incêndios e a passagem do tempo converteram em ruínas essas antigas estruturas, e o pó dos séculos as cobriu.

O Senado Romano - Imponência arquitetônica

Em 600 a.C., Roma era sofisticada cidade-Estado governada por reis. Tinha produtos próprios, aristocracia rica prédios monumentais e organizado sistema social. O rei dividia o governo com Senado e Assembléia  O Senado era o conselho de anciãos, formado por chefes de clãs. Tinha o poder de aprovar ou vetar indicações do rei. A Assembléia era constituída por todos os cidadãos masculinos de Roma; a cidadania era concedida apenas aos filhos de pais romanos. A principal função da Assembléia era outorgar poderes absolutos ao monarca, depois de os líderes das clãs aprovarem o candidato a rei.

Confluíam para Roma grandes rotas comerciais que ligavam a Europa a Ásia e ao norte da África. O comércio gerava não apenas riquezas, colocava a cidade em contato regular com várias culturas, como a grega  da qual Roma recebeu forte influência. Vizinhos etruscos (atual Toscana) também tiveram grande impacto sobre Roma, a ponto de em meados do século VI a.C., os monarcas romanos passaram a ser etruscos. Deram aos romanos toga, artes, certas práticas religiosas, arquitetura de arco e pedra, sistema de esgotos e corrida de bigas. A influência grega muitas vezes transmitidas pelos etruscos, foi forte na arte da arquitetura, filosofia, ciência e tecnologia. Os etruscos também passaram para os romanos o alfabeto grego, que desenvolvido, tornou-se base de muitas línguas ocidentais.

NASCE A REPÚBLICA
Roma foi governada por sete reis até o último, Tarquínio, etrusco, ser derrubado, em 509 a.C., em um golpe dado por aristocratas romanos. Em vez de instalarem novo monarca, os romanos desfizeram a instituição e Roma tornou-se república.

CIDADÃOS E ESCRAVOS
A sociedade republicana romana era dividida em livres e não livres (escravos). Entre os livres, os mais importantes eram os cidadãos, que elegiam os cônsules. Os cidadãos subdividiam-se em patrícios (elite proprietários de terras) e plebeus (os demais). O Senado era formado por patrícios, e no início a República representou a transferência do poder do rei para a classe mais abastada de Roma.

SURGE O IMPÉRIO ROMANO


Em 27 a.C, Otaviano era de fato, o primeiro "imperador" de Roma, assumindo o título de Augusto. Nascido Otávio, era sobrinho-neto e filho adotivo de César. Após a morte de César, passa a se chamar Otaviano e assume o título de Augusto "o ser dos deuses", prínceps "primeiro cidadão". Pôs fim à guerra cível e parecia que iria restaurar os dias de glória da República, mas governou como autocrata. Manteve-se no poder por 41 anos de relativa paz, marcando o início do Império que duraria mais de 400 anos.

Os romanos não consideravam que a República havia sido extinta com a morte de César, e quando Augusto chegou ao poder não assumiu o manto de imperador todo-poderoso. Ao contrário, afirmava que havia restaurado a República e devolvido o poder ao Senado e ao povo. Augusto se apresentava como "o primeiro entre os iguais" aos senadores, apesar de na verdade, dispor de poder supremo.

O governador Augusto começou com pretensões republicanas, mas enquanto mantinha partes do sistema existente, enxertava nele a sua autocracia. O sistema de governo republicano, baseado na competição entre famílias aristocráticas, foi substituído pelo imperial, no qual apenas uma família aristocrata dominava.

Augusto fez reformas jurídicas, mantendo o princípio básico da leis romanas. Era sua a palavra final na aprovação das leis. Cidadãos acusados de crime normalmente tinham defensores, e magistrados romanos administravam o direito penal. As penas eram duras. Na primeira metade do século II d.C., cidadãos romanos contestavam decisões recorrendo ao tribunal superior baseado em Roma.

AS CONQUISTAS DO IMPÉRIO

Roma começou a se destacar mais ou menos na mesma época em que a cidade-estado de Atenas assumiu a hegemonia da Grécia, ou seja, no século V a.C. Naquela época Roma foi reforçando seu exército e dominando áreas cada vez maiores. Depois de submeter seus vizinhos mais próximos, derrotou os etruscos. Mais tarde expulsou as tribos do povo gaulês, que atacavam pelo norte da península. Em pouco tempo, quase toda a Itália pagava tributos a Roma.

Depois de derrotar os catargineses, Roma passou a atacar outros povos. Os objetivos dos romanos nessas guerras continuavam as mesmas: dominar territórios, cobrar impostos dos povos dominados e escravizar prisioneiros de guerra. Depois da Grécia os romanos conquistaram a Ásia Menor. Foi assim que em 63 a.C. os judeus perderam sua independência quando Pompeu, mais uma vez os submeteu ao "jugo dos pagãos". Desde então os judeus estiveram debaixo do domínio de Roma, embora Hircano (que era da família de Judas Macabeu) conservasse uma soberania nominal.


Após dominar toda a península itálica, os romanos partiram para as conquistas de outros territórios. Com um exército bem preparado e muitos recursos, venceram os cartagineses nas Guerras Púnicas (século III a.C.). Esta vitória foi muito importante, pois garantiu a supremacia romana no mar Mediterrâneo. Os romanos passaram a chamar o Mediterrâneo de Mare Nostrum. Após dominar Cartago, Roma ampliou suas conquistas, dominando a Grécia, o Egito, a Macedônia, a Gália, a Germânia, A Trácia, a Síria e a Palestina.

No final do século I d.C., época imperador Trajano (98-117), Roma dominava rico império que se estendia por todo o Mediterrâneo, Oriente Médio e grande parte da Europa central e do norte. Nos dois primeiros séculos de regime imperial estimava-se que havia 50 milhões de pessoas vivendo em terras romanas. A maior parte das terras foi conquistada durante a República. O império consolidou o domínio sobre as regiões e acrescentou algumas províncias, que foram mais tarde as primeiras a serem perdidas. Britânia, Dácia (atual Romênia), Assíria e Mesopotâmia (Iraque) foram ganhos efêmeros, comparados a outros territórios. Os soberanos romanos não hesitavam em eliminar qualquer rebelião ou ameaça, muitas vezes brutalmente. Uma das razões pela qual o Império foi relativamente estável no período. A expansão que existiu foi ajudada pelo trabalho de imperadores como Trajano e Claúdio. Importante fator para manutenção de terras foi também o lendária força militar romana. O Império ao contrário da República, teve na maior parte da existência exército forte e permanente. Os soldados eram máquina profissional altamente organizada, capaz e leal ao imperador.

Com as conquistas, a vida e a estrutura de Roma passaram por significativas mudanças. O Império Romano passou a ser muito mais comercial do que agrário. Povos conquistados foram escravizados ou passaram a pagar impostos para o Império. As províncias (regiões controladas por Roma) renderam grandes recursos para Roma. A capital do Império Romano enriqueceu, e a vida dos romanos mudou.

A CIVILIZAÇÃO URBANA
A civilização romana era bastante urbanizada, com vasta rede de cidades prósperas, repletas de belos prédios que copiavam os de Roma, com templos e Fórum público. Os extensos territórios do Império eram divididos em províncias administradas por governadores chamados pró-cônsules ou pretores, que exerciam o cargo em nome do imperador. No século III d.C., diferentes líderes resolviam questões militares. Nas províncias, as cidades se assemelhavam às romanas, governadas do acordo com sistema jurídico de estilo romano. Aspecto-chave do Império no século II foi o crescente status das províncias e suas cidades, por exemplo: Éfeso, na Asia Menor e Leptis Magna, no norte da África.

Os centros urbanos da Roma Imperial eram interligados por impressionantes redes de transportes e comunicações, possíveis pelo talento único dos romanos para a engenharia. Estradas, pontes, viadutos, portos e aquedutos foram construídos por todo o Império.

O Império era interligado por milhares de quilômetros de estradas bem construídas, normalmente feitas de lajes de pedra assentadas sobre o cascalho. Vitais por permitirem o rápido deslocamento dos soldados, ajudaram no controle de grandes territórios. No geral a rede viária se concentrava em destinos à Roma, daí o provérbio "todos os caminhos levam a Roma". Muitas dessas estradas existem até os dias atuais, como a Via Ápia, que ligava Roma ao sudeste da Itália.

Nas muitas cidade províncias do Império, os romanos tornaram realidade alguns grandes projetos de engenharia e arte romana antiga. Prédios e monumentos da era Imperial levaram ao extremo o amor dos romanos pela grandiosidade, proclamando ao mundo riqueza e poder.

Augusto acompanhou a transformação dizendo ter "encontrado uma cidade de tijolos e entregado ao povo uma cidade de mármore".

O FIM DO IMPÉRIO ROMANO



Historicamente o Império Romano chegou ao fim em 476 d.C., ano em que Rômulo Augusto foi deposto.

O colapso não ocorreria imediatamente, e é importante destacar que, enquanto o Império Ocidental definhava, florescia o Império Romano do Oriente, estabelecido no início do século IV de nossa era pelo imperador Constantino. A cultura grego-romana que inicialmente havia prosperado evoluiu para a cultura bizantina cristã, que perdurou por quase mil anos. Essa época pode ser vista sob ótica positiva, como de certa continuidade, mais do que a desoladora visão do fim da civilização refinada que mergulhou a Europa no caos.

No século IV e V, diferentes povos conquistaram territórios antes dominados pelos romanos na Europa e Oriente Médio. Reinos e tribos germânicas se espalharam por vastas regiões nesses séculos. Os visigodos em áreas da França, Espanha, Grécia e Itália; os francos na França; os vândalos no norte da África (reino fundado em 429); e os suevos na Espanha. Em 410, os romanos se retiraram oficialmente da Britânia, onde os celtas prevaleceram antes de chegarem os anglos e saxões.

ARQUEOLOGIA DE ROMA

No ano de 357 d.C. Ammianus descreveu de maneira gráfica o então intacto resplendor de Roma, e afortunadamente esta descrição foi preservada para a posteridade. Já no século 16 foram efetuadas escavações em Roma, e durante os séculos 17 e 18, mais escavações foram realizadas. Biondi começou seus trabalhos em 1817 e De Rossi em 1853. A Comissão Pontificial de Arqueologia Sagrada tomou para si a tarefa e a tem continuado até o presente. Quem visita Roma hoje em dia pode apenas ter uma pálida idéia de seus principais edifícios, de seus monumentos e dos demais lugares importantes, encontram-se à vista e são fáceis de estudar.

O FORO, com toda sua tradição histórica, foi testemunha do julgamento e da morte de Júlio César e do discurso de Marco Antonio. O COLISEU, que cobre uma extensão de 2,5 hectares, é a estrutura onde 50.000 a 60.000 espectadores viam os cristãos serem lançados as feras. Na colina do Palatino estavam os palácios dos imperadores e o ruinoso templo de Júpiter. Podem-se observar os contornos do Circo Máximo, onde 250.000 pessoas observavam as corridas. O Arco de Tito exibe a vívida escultura em relevo do General Tito e seus soldados transportando as vasilhas sagradas quando regressavam de Jerusalém. O Arco de Constantino relata o grande acontecimento que ocorreu em 313 d.C., quando Constantino proclamou o cristianismo como a religião oficial do Império. Muitos outros lugares são hoje de sumo interesse, entre eles o antigo relógio de água utilizado para marcar as horas e os dias quando Paulo estava em Roma.

Em 1941, durante as escavações de Óstia, o porto de Roma na desembocadura do Tibre, foi encontrada uma inscrição indicando que, no princípio do reinado de Tibério, no ano de 14 d.C, Roma contava com uma população de 4.100.000 habitantes.

O FORO ROMANO

Visto do alto do Capitólio, o Foro Romona parece um berço.
De facto foi ali que nasceram e ganharam forma concreta os princípios fundamentais do chamado direito romano; tão firmes, tão humanos e tão racionais, que ainda hoje perduram nos Códigos de todos os povos civilizados.
Em Roma existiram mais Foros; mas de todos o mais celebre foi sempre o Foro Romano. Era este o Forum por excelência.

A cúria:

Era o edifício exclusivamente próprio do Foro Romano e servia para as assembleias do senado.

Mosaico no interior da Cúria Romana.

Grande parte da história de Roma foi gizada e decidida dentro desta quatro paredes.
A sua construção data do reinado de Diocleciano (inícios do século IV)


O COLISEU
é aqui onde acontecia a descontração do povo romano, alguns cristãos serviram de atração sendo entregue as feras.

COLINA PALATINO


Arco de Septímio Severo
O arco triplo data do ano 203 d.C. Os altos-baixos relevos que o adornam comemoram as vitórias daquele imperador sobre os Partos e os Árabes, e a vassalagem dos povos do Oriente a Roma.



O TEMPLO DE SATURNO
O Templo de Saturno, em cujas caves guardavam os tesouros do estado, data originalmente do século V a.C, mas as 8 colunas de granito polido, com capitéis jônicos e arquitraves que dele restam, pertencem a uma reconstrução efetuada no século IV da nossa era.


O ARCO DE TITO
Este monumento, sinal de triunfo, foi levantado para comemorar as vitórias de Vespasiano e Tito sobre os Judeus e a destruição de Jerusalém, no ano 70 da era cristã. De todos arcos de triunfo existentes em Roma, este é o mais belo e harmonioso. Os seus baixos e altos-relevos são de grande interesse histórico.


Na parte interior estão representados os seguintes quadros:
a)de um lado o cortejo triunfal, que precede o imperador, ostentando os despojos do templo, completamente destruído e arrasado.
b)a mesa com os pães da proposição, as trombetas de prata e o candelabro de sete braços (que era de ouro finissimo e pesava à volta de 50kg);
c)do lado oposto a quadriga imperial guiada pela deusa Romana, enquanto a Vitória suspende uma coroa sobre a cabeça do imperador;
d)na abóbada a apoteose de Tito, levado ao céu por uma águia.


sábado, 1 de setembro de 2012

Os Penicos



Algumas inovações dos tempos modernos são positivas e, com certeza, melhoraram paca a vida das pessoas. É o caso, por exemplo, das suítes, isto é, do banheiro e sanitário instalados no quarto de dormir. Foi um grande avanço que trouxe, indiscutivelmente, benefícios e comodidades incríveis. Além disso, reconheçamos, é muito mais prático e higiênico já que menos pessoas usam o distinto anexo.
Os da minha geração, alguns mais moços, devem se lembrar que antigamente, no nosso interior, o banheiro e o sanitário ficavam no fim da casa e, não raro, no muro. Altas horas da noite quando o cristão (ou ateu) sentia necessidade de se aliviar, tinha que atravessar um grande corredor e sair disparado até o quintal onde ficava o célebre "quartinho". Imagine a aflição quando a necessidade era premente. Pior era quando a "casinha" já estava ocupada. O jeito era procurar um cantinho do muro e ali se aliviar.


Bourdaloue Minton inglês em louça decorada do Séc. XVIIIBourdaloue* Minton inglês em louça decorada do Séc. XVIII

Bourdaloue francês em louça do Séc. XVIIBourdaloue* francês em louça do Séc. XVII


A felicidade - e bota felicidade nisso - é que, para evitar essas dificuldades de ter que dar o pique até à "casinha", havia um objeto precioso que fazia às vezes de sanitário. Eram os famosos PENICOS. Quem não se lembra deles? Mais: muita gente grande, creiam, fez uso deles. Os mais elitistas e os santinhos do pau ôco que gostam de falar difícil não pronunciavam a palavra penico, preferiam o termo urinol. E os mais antigos chamavam o popular penico de capitão. Foram objetos muito populares.


Penico de louça portuguesa


Os penicos só começaram a perder prestígio a partir da década de 60 com o advento das suítes e da instalação nas casas de mais de um sanitário. Um detalhe: havia penicos de várias cores e de diveros materiais: de louça, ágata, alumínio, flandre, plástico etc. Os mais caros eram os de louça, usados nas casas das pessoas mais abonadas, eram de louça e muitos deles floridos.A massa ficava com os mais baratos. O interessante é que houve época que havia quem consertasse penicos de alumínio, de flandres e de ágata. Algumas vezes quando havia apenas um furinho de nada se tapava com sabão.


Mas o espetáculo à parte, o momento de perigo da série, era de manhã cedo nas casas que havia muita gente. Quase na hora do café, havia a procissão dos penicos em direção ao sanitário. O cheirinho de mijo e de etc. se misturava com o do café. Um barato. Esse ritual de levar o capitão e seus comandados para o sanitário requeria muito cuidado, não se podia errar o passo, qualquer descuido, pimba!, "o precioso líquido" derramava no chão e era aquele melelê. Havia outro contratempo: era na escuridão muitas vezes a pessoa tropeçava no penico já cheio e, pronto, era aquele desastre, tinha-se que lavar e limpar tudo por causa da fedentina.


Penico de louça tradicionalPenico de louça tradicional


Tem mais: certa época alguns museus da Região para dar uma prova do valor do seu acervo histórico, incluiu alguns penicos de prefeitos, chefes políticos bispos etc. O penico assumia uma patente superior à de capitão, virou patrimônio histórico. Certa vez fui na casa de um novo-rico e vi uma caqueira até bonita, quando me acerquei dela era um capitão antigo, o sujeito dizia orgulhoso que um governador mijara nele. Uma glória.


Penico em porcelana Villeroy
Penico em porcelana de madame Pompado
Penico em porcelana inglesa


Naquela época, fim dos anos 50 e começo dos anos 60, os penicos também serviram para apelidar os bajuladores. A turma de corta-jacas que chegavam logo de manhã na casa dos chefes era apelidada de "tiradores de penicos". Um desses bajuladores chegou certo dia na casa do chefe, de manhãzinha, a empregada faltara, ele, claro, logo se ofereceu para tirar penico do chefe. Pegou o capitão todo excitado e, por azar, tropeçou na dobra de um tapete e, poker!, o penico virou em cima dele estava cheio e não só de mijo. O corta-jaca além de se sujar todo ainda levou uma descompostura do chefe.
No mais, amigos, eu tenho saudades do tempo dos penicos.


 

Blog do autor: Combate Popular:http://blogdewilliamporto.zip.net

 



 Um tipo peculiar de penico, o Bourdaloue, foi elaborado especificamente para o uso das damas. O formato retangular ou oval alongado do vaso, às vezes com a parte dianteira alta, possibilitava que a mulher urinasse de pé ou agachada sem grande risco de errar o alvo, o que também ajudava na redução da quantidade de roupa para lavar.

padree_louis_bourdaloueO nome “Bourdaloue” supostamente vem de um famoso padre católico francês, Louis Bourdaloue (1632-1704), que fazia sermões tão longos que as damas da aristocracia que o ouviam colocavam tais vasos discretamente sob suas roupas para que pudessem urinar sem ter de sair do lugar. Todavia, isto muito provavelmente é só uma lenda.

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(coleção de mais de 1300 penicos de 27 países) Um museu no mínimo exótico situado na Espanha
 Museu dos Penicos

 


Autor(a): William Pôrto

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

A ORIGEM DOS PERFUMES


Queimar algo para liberar perfume é um recurso muito antigo. A própria palavra "perfume" sugere sua origem fumegante. Tanto o português perfume, como o francês parfum, o italiano profumo e o inglês perfume derivam efetivamente do latim fumus, talvez em uma referência à fumaça perfumada que subia ao céu durante os ritos em homenagem aos deuses.
As primeiras referências ao perfume remontam às antigas civilizações do Oriente Próximo, especialmente à do Egito.
Os arqueólogos encontraram numerosos vasos de perfume de alabastro que remontam ao terceiro milênio antes de Cristo, e são muitos os afrescos com cenas da vida cotidiana que mostram rituais do perfume.
Os antigos egípcios reservavam fragrâncias para os mortos e aos deuses, a ponto de instalarem dentro dos templos, os laboratórios destinados à preparação desses perfumes. No laboratório do templo de Hórus, em Edfú, foi encontrada por exemplo, a receita das velas aromáticas que os sacerdotes acendiam na primeira oferenda da manhã às estátuas das divindades.
O sebo, embebido em drogas aromáticas, era primeiro tingido de cor-de-rosa com raízes de alfena e depois, era queimado lentamente.
Mais tarde, queimavam-se resinas de terebinto e a fumaça subia aos céus para expulsar os espíritos malignos. No final da cerimônia, o sacerdote espargia a estátua da divindade com óleos perfumados e a cobria com um véu.
Mas por que o perfume tinha um papel tão importante nos rituais propiciatórios dedicados aos deuses? Com certeza, porque eram infinitamente mais valiosos do que hoje. Assim, só podiam dispor dele os grandes sacerdotes ou reis, que os reservavam aos deuses. No poema de Pen-Ta-Ur podemos ler a oração do faraó Ramsés ao deus Amon para que lhe conceda a vitória na batalha de Qadesh.
Nesse trecho do poema, o rei relembra as oferendas ao deus, entre elas o sacrifício de 3 mil bois, além de ervas aromáticas eperfumes. Os egípcios acreditavam que seus pedidos e orações chegariam mais depressa à morada dos deuses se viajassem nas densas nuvens de fumaça aromática que se erguiam dos altares e ascendiam aos céus.
Cleópatra perfumava-se com essências aromáticas da cabeça aos pés ou deixava que o perfume flutuasse em torno dela. Não há nada escrito e nunca sabe-remos se preferia violeta ou o feno grego ou então, a mirra com mel e resinas.
Pensando nela como a primeira mulher que conseguiu usar os perfumes para seduzir, podemos formular uma hipótese: usava um bouquet com todos esses aromas e, por ser astuta, acrescentava rosa e absinto, às fragrâncias mais apreciadas em Roma naquela época.
O contrário do que acontecia na civilização egípcia, as ruínas encontradas no Oriente Próximo explicam bem pouco os hábitos cotidianos do povo que, a partir do ano de 1.800 A.C. , viveu naquela vasta região. O historiador grego Heródoto cita alguns testemunhos nas suas histórias. Ele comenta que, entre os persas, não se consagravam sacrifícios e nem defumações aos deuses como acontecia no Egito.
Foi apenas depois da reforma religiosa que levou à afirmação do zoroastrismo, no século VI A.C., que se tornou um hábito perfumar os altares cinco vezes por dia e defumar incensos perfumados durante as procissões.O povo não sabia usar perfumes, utilizava-os apenas para afastar os espíritos malignos. O incenso era empregado nos exorcismos, enquanto nas doenças se tentava conquistar os favores do deus do Bem oferecendo-lhe óleos perfumados, para amansar o deus do Mal; também eram feitas oferendas de óleos.
Heródoto também contava que o poderoso rei dos persas, apenas teve seus cabelos lavados no momento do seu nascimento. Mas o rei era um grande apaixonado por perfumes, que os usava em excesso para ocultar os maus odores do corpo. Plutarco, que viveu no século I, conta que, quando Alexandre magno entrou na tenda do rei, espantou-se ao descobrir que era "um lugar perfumado com fragrâncias de aromas e ungüentos" e, anos mais tarde, ao regressar à sua pátria, quis imitá-lo borrifando o chão do seu palácio com água perfumada e rodeando-se de incensários cheios de incenso e mirra.
Na misteriosa Mesopotâmia, os perfumes desempenhavam um papel importante na vida de um casal e o marido devia proporcioná-los à esposa, tanto como ato de amor como para rito de purificação. Toda a população utilizava óleos purificadores, os pobres deviam se contentar em se purificar com óleo de gergelim, enquanto os ricos podiam fazê-lo com finos óleos de murta e cedro.
As essências perfumadas que os egípcios e outros povos do Oriente utilizavam para obter ungüentos vinham de Punt, país da África, de onde vinham todas as flores e plantas empregadas na perfumaria. Mas, como plantas e flores tão diferentes podiam ser cultivadas em Punt? Na realidade, não eram cultivadas ali, mas chegavam de países longínquos, convergindo para aquelas terras graças s poderosas corporações de comerciantes que organizavam caravanas que iam comprar, em viagens que duravam meses, as essências nos países de origem, principalmente na Índia.
No livro do francês J. Vercountier sobre o comércio na antiguidade, cita-se um fragmento de uma carta interessante que um importador da Mesopotâmia escrevia a um enviado: "Procure tabuinhas de cedro [...] trinta quilos de murta de boa qualidade, trinta de cálamo aromático e grandes troncos de madeira de pinho e, depois entregue todo esse material para mim na Babilônia...". Os assírios, e os babilônios gostavam muito de essências embriagadoras proporcionadas pelas resinas de certas árvores gigantescas que cresciam na Índia e em outros países asiáticos e importavam grandes quantidades delas. Das regiões meridionais da Índia chegava uma resina balsâmica extraída da planta do espinheiro, utilizada tanto para ungüentos como para aromatizar vinhos.
No extremo sul do país e no Ceilão deixava-se secar as folhas do cinamomo, que depois eram enroladas para obter uma canela muito fragrante com a qual se aromatizavam alimentos. Outro tipo de cinamomo, denominado camphora (servia para ungüentos empregados em vetiver), os espinhos e os ramos (pinheiro e cipreste), as ervas aromáticas (estragão e tomilho), as resinas e os bálsamos (mirra e incenso), as madeiras (sândalo e cedro) e as cascas (canela). As colheitas realizam-se no mundo inteiro e dependem das estações e da qualidade das plantas.
Fonte: www.mundialnet.org

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Anna Bolena


FONTE: BERNAUW, Patrick. The ghost of Anne Boleyn 
publicado em 17/02/2009 ─Trad., adapt. & pesquisa Ligia Cabus
[http://socyberty.com/paranormal/the-traveling-ghost-of-the-headless-witch-anne-boleyn/]



  
 Esq.: O começo: tudo é romance e promessa. Esq.: O fim ─ Anne Boleyn in the Tower, 1835.
 Edouard Cibot [1799-1877]. Musée Rolin ─ Autun, France.


Era ainda uma adolescente quando foi para a corte francesa; e ali deparou-se com uma sociedade imoral. Na Inglaterra, sua irmã, Mary, veterana cortesã, era amante do rei. Anna achou que podia fazer melhor: ela queria ser a esposa. Por seis anos durou o jogo de sedução entre Anna e o monarca. Jogo sutil que ela aprendeu em Paris. Quando a rainha, Catarina de Aragão falhou em gerar um herdeiro, um varão, Henrique achou que era um momento oportuno. Momento para fazer de Anna Bolena a próxima rainha da Inglaterra, a segunda esposa de Henrique VIII.

Ela causava problemas: é um fato. Ciumenta ao extremo, sempre cometendo suas impropriedades. Porém, não merecia ser acusada daqueles crimes tão abomináveis: traição, adultério [com quatro homens], incesto [com seu irmão George, Lord Rochford], bruxaria. Mas quando o assunto era se livrar de uma esposa Henrique VIII fazia qualquer negócio.

Para casar com Anna, Henrique rompeu com a Igreja Católica Romana e adotou o Protestantismo na Inglaterra. Por conta disso, os historiadores católicos jamais a perdoaram, culparam-na ─ e a ela atribuíram as mais abomináveis perversões da moral, da ordem e dos bons costumes. 

Em 1536, o bispo Fisher foi decapitado por recusar-se a reconhecer Henrique como chefe da Igreja. Na ocasião, correram boatos de que Anna mandou que levassem para ela a cabeça do bispo em prato e, tendo a horrenda peça diante de si, transpassou a língua do morto com um estilete de prata. Também diziam que, quando ainda era concubina, tentou envenenar a rainha Catarina e a princesa Mary. Finalmente, muitos acreditavam que Anna Bolena era uma bruxa praticante dos mais indecorosos atos do diabolismo.

Mas o único e verdadeiro crime de Anna Bolena foi o mesmo cometido por Catarina de Aragão: não gerar o ansiado filho varão de Henrique VIII. O rei desgostou-se com a segunda mulher tal como aconteceu com a primeira. Mal suspeitava ele, que a filha concebida com Anna Bolena tornar-se-ia Elizabeth I [1533-1603, chamada a Rainha Virgem], considerada a mais admirável das rainhas da Inglaterra.

Em abril de 1536 cinco homens foram presos sob a acusação de serem amantes da rainha. Entre eles, o irmão dela. Antes de serem torturados, todos afirmaram a inocência da rainha. Mas depois da tortura, um, e somente um deles, o músico holandês Mark Smeaton, acusou-a de infidelidade conjugal. Anna foi presa junto com o irmão. Todos foram encarcerados na Torre de Londres.


Seis Dedos, Três mamilos ─ Em sua pressa de livrar-se dela, o rei declarou que tinha sido enfeitiçado pela mulher. A essa altura, era amplamente aceito como fato que Ana tinha três mamilos, seis dedos na mão esquerda desde a infância sentia uma significativa aversão ao dobrar dos sinos das igrejas, o que era comum nas bruxas. Estava claro! Anna Bolena tinha feito um pacto com o Diabo e o rei tinha sido vítima da maldade de uma feiticeira.

Em 17 de maio [1536] os cinco homens foram executados e, dois dias depois, Anna Bolena foi decapitada. Vestia uma manto leve sobre um traje vermelha. Sua magnífica cabeleira negra estava meio encoberta pelo capuz adornado com pérolas. Quando subiu ao cadafalso, os olhos brilhando, parecia zombar da morte e brincou com o carrasco mencionando seu pescoço pequeno, apelando para habilidade do executor.

Sua bravura fez com que o Governador da Torre escrevesse: Essa senhora morreu com extrema elegância[ou, em tradução literal: Essa senhora teve muito prazer em morrer]. Muitos interpretaram esse comportamento como satisfação de bruxa: porque ia encontrar seu verdadeiro consorte, o Príncipe da Escuridão. Na Torre, ela escreveu um poema:


Morte
Acalenta meu adormecer
Permita-me um repouso tranqüilo
Deixa passar meu espírito 
completamente  inocente

Lá fora tocam os sinos
dos maus presságios
Lúgubres
Deixe-os tocar
anunciando minha morte
Por que eu preciso morrer


Assombração ─ Apesar do apelo poético, o espírito dela não descansou [nem descansa]. Ela foi vista em muitos lugares, particularmente naqueles onde viveu, uma vez; muitas vezes, aparece em seu coche fantasma conduzido por cavalos sem cabeça, um elemento mítico muito associado à bruxaria e demonolatria.

No castelo de  Blickling Hall, Norfolk, todos os anos ela faz uma aparição espetacular no aniversário de sua morte: em seu coche, os cavalos fantasmas galopando na avenida guiados por um cocheiro igualmente sem cabeça.

Na época do Natal, o fantasma vai a Kent, outra residência da família, ela desfilar em seu coche macabro na avenida do Hever Castle. Naquela edificação do século XIII, à sombra de um frondoso carvalho, Henrique cortejou, primeiro Mary, a irmã mais velha; mais tarde, Anna. Ainda durante o Natal, ela durante doze noites ela assombra Rochford, distrito de Essex, onde viveu quando era criança. Nessas ocasiões, assume as feições de uma mulher sem cabeça trajando ricas vestes de seda.

Também é freqüente que seja vista uma certa janela do castelo de Windsor porém, o local preferido dessa alma penada é a Torre, onde ficou presa, morreu decapitada e onde está sepultada. Seu corpo jaz na igreja de Saint Peter ad Vincular [São Pedro Acorrentado], situada dentro da própria Torre. Muitos anos depois da morte, seu caixão foi aberto; ela foi identificada pelo seu infame sexto dedo.

A pequena igreja de São Pedro Acorrentado naturalmente, também é assombrada. Nos anos de 1880, um oficial da guarda percebeu uma luz brilhando dentro da capela. Perguntou ao sentinela o que era aquilo mas o soldado disse que não sabia nem tinha vontade de saber. Curioso, o oficial providenciou uma escada para alcançar a altura necessária e, assim, pôde espreitar pela janela. Viu a igreja iluminada por uma luminosidade mortiça e uma procissão de pessoas usando roupas da época elisabetana movia-se entre os bancos. Guiando a procissão, estava a mulher: em trajes esplendorosos, adornada com jóias. Seu rosto lembrou ao oficial um retrato de Anna Bolena. Subitamente, a procissão desapareceu e igreja mergulhou em escuridão.

Todavia, as aparições de Anna Bolena na Torre não são sempre inofensivas. Ao contrário, em geral, são horripilantes. Em 1817, um sentinela simplesmente teve uma parada cardíaca e morreu ao deparar-se com ela em uma escada.

Em 1864, um soldado foi levado à corte marcial. Tinha sido encontrado adormecido em serviço. \Mas ele negou que dormia; antes, estava desmaiado depois de encontrar a figura pálida de uma mulher que usava um estranho chapéu; mas não havia cabeça sustentando o chapéu. Ele bradou: Quem vem lá?! E avançou; a mulher também se adiantou até que foi transpassada pela baioneta. Mas era como se o sentinela tivesse golpeado o nada, mas um nada ardente que provocou-lhe um choque.

Muitas testemunhas afirmaram diante da corte que também tinham visto aquela mesma mulher sem cabeça, naquela mesma noite próxima ao Lieutenant's Lodgings [alojamento dos militares]; e um oficial da Torre declarou que tinha ouvido o brado do sentinela e visto que ele avançava com sua baioneta. Também viu o espectro atravessar não só a baioneta mas passar através do sentinela também. A corte declarou o réu inocente.